Baixa autoestima infantil: Saiba o que é e como ajudar

Baixa autoestima infantil: Saiba o que é e como ajudar

Desde a primeira infância, as crianças começam a formar uma imagem sobre si mesmas com base nas interações que têm com os pais, educadores e colegas, fundamentando assim os alicerces para sua autoestima. Entender o que é a baixa autoestima infantil é o primeiro passo para saber lidar com ela da melhor forma possível. 

Um aspecto crucial da autoestima é o sentimento de ser amado e valorizado. Assim, quando uma criança percebe que é apreciada por suas características únicas, ela tende a desenvolver uma boa autoestima. Isso contribui para a formação de uma personalidade resiliente e confiante, facilitando o enfrentamento de desafios e a superação de obstáculos, como veremos a seguir. 

Compreendendo a autoestima: Definição e importância

Autoestima é o conceito que um indivíduo tem sobre si próprio, sendo um elemento fundamental para a saúde mental e o bem-estar geral. 

De modo geral, podemos dizer que é a avaliação que a pessoa faz de si mesma, abarcando crenças como “eu sou competente”, “eu sou valioso”, e emoções associadas a tais crenças, como orgulho ou a falta deste.

Importante diferenciar, a autoestima não é uma visão inflada de si próprio, mas sim um entendimento realista e respeitoso das próprias limitações e potencialidades, que cada um de nós temos. 

A importância da autoestima pode ser resumida em vários aspectos-chave:

  • Determinante de comportamentos: Indivíduos com uma autoestima saudável tendem a tomar melhores decisões, enfrentar desafios e recuperar-se mais rapidamente de contratempos.
  • Influência nas relações: Uma autoestima positiva facilita a criação e a manutenção de relações pessoais saudáveis e está intimamente relacionada à capacidade de respeitar e ser respeitado pelos outros.
  • Impacto na educação: Crianças e adolescentes com boa autoestima geralmente têm melhor desempenho escolar pois sentem-se mais capazes e confiantes em suas habilidades.
  • Saúde mental: Elevados níveis de autoestima estão associados a menores taxas de depressão e ansiedade, além de uma maior resistência ao estresse.

Em crianças, a autoestima é particularmente crítica, pois está sendo formada e solidificada. É nessa fase que começam a estabelecer quem são, como veem a si mesmos e qual seu lugar no mundo. 

Portanto, a atenção para com a baixa autoestima infantil é essencial, uma vez que irá influenciar no seu desenvolvimento adulto como um todo. 

Sinais comuns de baixa autoestima infantil

A baixa autoestima infantil pode não ser imediatamente aparente, mas há sinais comportamentais e emocionais que pais e educadores podem observar. 

Estes são alguns dos indicadores comuns de baixa autoestima em crianças:

  • Relutância em tentar novas atividades ou evitar situações desafiadoras: A criança pode demonstrar medo de falhar ou de ser ridicularizada, preferindo ficar na zona de conforto a assumir o risco de cometer erros.
  • Autocrítica excessiva e negatividade em relação a si mesma: Crianças com baixa autoestima muitas vezes se descrevem com palavras negativas e podem destacar suas falhas em vez de suas conquistas.
  • Dificuldades em lidar com a frustração: São propensas a desmoronar emocionalmente diante de obstáculos ou críticas, apresentando reações intensas a situações que não saem como desejado.
  • Comportamentos de retirada social: Algumas podem se tornar retraídas ou isoladas, preferindo não participar em atividades grupais ou interações sociais.
  • Performance escolar  inconsistente: A qualidade do trabalho escolar pode variar significativamente, muitas vezes como resultado de crenças internas de não serem capazes ou inteligentes o suficiente.
  • Preocupação excessiva com o que os outros pensam: Essas crianças muitas vezes buscam aprovação externa e podem ser extremamente sensíveis à percepção dos seus colegas ou adultos.
  • Dificuldades em aceitar elogios: Tendem a desconfiar ou negar elogios, possivelmente acreditando que não são merecedores ou que os comentários positivos não são verdadeiros.

Nesse contexto, a baixa autoestima infantil pode afetar gravemente o desenvolvimento da criança, mas com intervenção e apoio adequados, é possível fortalecer a autoconfiança e promover um crescimento emocional mais equilibrado e saudável.

criança com baixa autoestima

Influências externas que podem afetar a autoestima infantil

A formação da autoestima infantil é um processo complexo e delicado, que pode ser impactado por uma variedade de influências externas. 

Crianças são particularmente sensíveis ao ambiente e às interações sociais, por isso é crucial reconhecer os fatores externos que podem contribuir para a baixa autoestima. Entre eles, podemos destacar:

  • Expectativas dos pais e professores: Crianças frequentemente aspiram a atender às expectativas dos adultos significativos em suas vidas. Aquelas que sentem dificuldade em cumprir com essas expectativas podem desenvolver uma percepção negativa de suas habilidades.
  • Comparação social: O constante comparar-se com colegas, seja em termos de habilidades, realizações ou características físicas, pode levar a sentimentos de inadequação.
  • Bullying e assédio: Experiências de bullying, online ou offline, afetam profundamente a autoimagem da criança, podendo resultar em sentimentos de valia pessoal diminuídos.
  • Mídia e cultura: A exposição a meios de comunicação que promovem padrões de beleza inatingíveis ou estereótipos prejudiciais pode moldar negativamente a autoimagem infantil.
  • Dinâmica familiar disfuncionais: Situações familiares problemáticas, como o divórcio dos pais, conflitos familiares ou negligência emocional, podem prejudicar a autoestima da criança.
  • Desempenho escolar: O sucesso ou dificuldades na escola, bem como a pressão para participar de atividades específicas, podem influenciar a forma como a criança se vê e se avalia.

Desse modo, é muito importante estarmos atentos a essas influências externas e trabalhar de maneira proativa para minimizar seus impactos negativos, promovendo um ambiente de apoio e aceitação que reforce a autoestima infantil.

Como o comportamento não verbal revela a autoconfiança

O comportamento não verbal é um indicador poderoso da autoconfiança de uma criança. 

Dessa maneira, a  linguagem corporal pode revelar a insegurança e a baixa autoestima infantil frequentemente de maneira mais evidente do que as palavras. 

Identificar sinais não verbais em crianças com baixa autoestima pode ajudar os responsáveis a entender as emoções não ditas e a intervir de maneira adequada. 

Nesse sentido, os comportamentos não verbais mais analisados são: 

  • Postura: Crianças autoconfiantes normalmente mantém uma postura ereta e aberta. Por outro lado, ombros curvados e cabeça baixa podem ser sinais de que uma criança se sente insegura ou menos valiosa do que os outros.
  • Contato visual: O contato visual é fundamental em qualquer comunicação. Quando uma criança evita olhar nos olhos, isso pode indicar um desconforto com a situação social ou uma falta de crença em si mesma.
  • Gestos: Os movimentos podem ser contidos e menos expressivos em crianças com baixa autoestima. Uma criança confiante tende a usar gestos para complementar sua comunicação verbal de forma mais animada e livre.
  • Expressões faciais: Um sorriso genuíno ou expressões faciais que acompanham alegria são menos comuns em crianças com baixa autoestima. Elas podem apresentar um semblante mais fechado e menos reações emocionais.
  • Contato físico: Crianças confiantes costumam ser mais confortáveis com abraços e outros tipos de contato físico. A hesitação em tocar ou ser tocado pode ser um reflexo da incerteza sobre seu próprio valor.

É importante ressaltar que esses sinais não são definitivos e podem variar de acordo com a personalidade e as circunstâncias.

 No entanto, observá-los pode oferecer pistas valiosas sobre o bem-estar emocional da criança e abrir caminhos para a construção da autoestima.

baixa autoestima infantil

Intervenções profissionais: quando e como buscar ajuda externa

A baixa autoestima infantil pode ser um obstáculo significativo para o seu desenvolvimento pleno e feliz. 

Existem momentos específicos em que a intervenção de um profissional se faz necessária, e é importante saber reconhecê-los: 

Quando buscar ajuda? Deve-se procurar ajuda profissional quando a criança:

  • Demonstra persistente falta de confiança e comentários negativos sobre si mesma.
  • Apresenta alterações bruscas de humor ou comportamento.
  • Não quer participar de atividades em grupo por medo de fracasso ou julgamento.
  • Tem baixo rendimento escolar sem uma causa aparente.
  • Mostra sinais de ansiedade, depressão ou outros transtornos emocionais.

Nesse contexto, o monitoramento contínuo dos pais ou responsáveis é crucial para notar esses sinais de alerta, que podem indicar que a baixa autoestima não é apenas uma fase, mas um problema que requer atenção especializada.

Como buscar ajuda? O processo para buscar ajuda deve ser cuidadoso e consciente:

  • Inicie uma conversa aberta e empática com a criança, buscando entender seus sentimentos.
  • Considere consultar o pediatra da criança, que pode fornecer uma avaliação inicial e recomendar especialistas.
  • Procure por psicólogos ou terapeutas infantis com boa reputação e experiência no tratamento de questões de autoestima.
  • Certifique-se de que a criança sinta-se confortável com o profissional escolhido, o que é essencial para o sucesso da terapia.

A intervenção profissional não apenas auxilia a criança a construir uma autoestima saudável, mas também oferece suporte aos pais e familiares na criação de um ambiente positivo e fortalecedor. 

De fato, tão importante quanto buscar ajuda, é escolher o momento certo para fazê-lo, garantindo assim melhor qualidade de vida e bem-estar para a criança. 

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Dicas práticas para prover a autoestima na criança 

Promover a confiança e a autonomia nas crianças é um processo que requer consistência e paciência. 

Profissionais da área da psicologia infantil recomendam algumas estratégias que podem ser implementadas no cotidiano para alcançar esse objetivo:

Estabeleça rotinas claras:

      • Crianças se sentem mais seguras quando sabem o que esperar. Mantenha horários regulares para refeições, tarefas domésticas, e hora de dormir.
  • Encoraje a independência
        • Permita que a criança escolha entre opções limitadas, como a roupa que vai vestir ou o lanche que vai comer. Isso ajuda a desenvolver suas habilidades de tomada de decisão.
  • Incentive o esforço
        • Valorize o esforço da criança em vez de focar apenas nos resultados. Elogie a persistência e a vontade de tentar, independente do sucesso.
  • Proponha atividades adequadas à idade
        • Ofereça tarefas que a criança possa realizar com sucesso, aumentando gradualmente a complexidade à medida que ela desenvolve competências.
  • Estabeleça expectativas realistas
        • Evite colocar pressão excessiva com expectativas muito altas. As crianças precisam de desafios, mas também de espaços para errar e aprender.
  • Demonstre confiança
        • Mostre que você acredita nas capacidades dela. Ao confiar pequenas responsabilidades, você transmite a mensagem de que ela é capaz.
  • Dialogue
        • Converse sobre sentimentos e frustrações, ouça atentamente e valide suas emoções. Isso fortalece a confiança emocional da criança.
  • Sirva de Modelo
      • Lembre-se de que as crianças aprendem observando. Se mostrar confiança e autonomia em suas ações, seu filho tenderá a espelhar esse comportamento.

    Assim, ao incorporar essas práticas na rotina da criança, criamos um ambiente positivo, onde ela se sente valorizada e apoiada, elementos fundamentais para fortalecer sua autoestima e que promovem o desenvolvimento de sua autonomia, no qual a baixa autoestima infantil encontra menos solo fértil para crescer. 

    Concluindo o assunto sobre baixa autoestima infantil 

    Enquanto sociedade, a responsabilidade de cultivar a resiliência e a autoconfiança nas crianças é nossa,  propiciando um legado de indivíduos capazes de enfrentar os desafios da vida com vigor e determinação. 

    Afinal, é na essência da infância que se encontra a oportunidade de semear as ferramentas emocionais e sociais que servirão de alicerce para a vida adulta. Para tanto, para minimizar a baixa autoestima infantil, procure sempre adotar estratégias que comentamos: 

    • Comunicação positiva: Encorajar a expressão de sentimentos e pensamentos de maneira construtiva.
    • Reconhecimento das conquistas: Valorizar cada sucesso, independente do tamanho, reforça a autoimagem positiva.
    • Envolvimento efetivo: A presença ativa dos pais na vida das crianças fortalece sua autoestima.
    • Estímulo à autonomia: Permitir que as crianças tomem decisões e assumam responsabilidades adequadas à idade.
    • Ambiente seguro: Manter um ambiente onde o erro é tratado como parte do aprendizado e não como falha.

    Acima de tudo, que a sua criança se sinta amada como ela é, para poder ser quem quiser. É esse apoio incondicional que quando sentindo por ela, a fará mais forte e independente e, por consequência, com mais autoestima! 

     

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